quinta-feira, 28 de abril de 2011

Síndrome de Quasímodo e a arte de flertar

Há algum tempo não escrevo no blog e há muitos motivos para que isso tenha ocorrido. Além da correria com estudos, provas e projetos que me deixou sem tempo; estava passando por algo que chamo de Síndrome de Quasímodo.

Quasímodo é a personagem principal do livro “O Corcunda de Notre-Dame”, do escritor francês Victor Hugo; ou simplesmente daquele filminho lindo da Disney – um ser bizarro demais por fora, mas com um amor maior que o mundo dentro do peito, que gostaria apenas de ser retribuído. Como sabe que é muito feio e que isso jamais acontecerá, Quasímodo, que é criado por padres, vive escondido na torre da Igreja onde toca o sino gigante que o deixou surdo e brinca com as gárgulas, suas amigas imaginárias.


É isso: apesar do que pensam a maioria de meus amigos, sou uma pessoa quase noventa por cento do tempo Quasímodo – insegura de mim mesma, me achando sempre muito feia por fora e implorando para ser amada. Quando acontece, fico sem ânimo, motivação ou inspiração para escrever, gasto meu tempo apenas com auto-piedade e lamentações.

Foi sofrendo dessa crise que viajei para São Paulo no feriado de Páscoa e havia mil planos traçados com os amigos de lá. Todos foram por água abaixo quando o dia de partir se aproximou. Ocupação, viagens, trabalho, etc. impossibilitaram a visita de meus amigos e eu já estava prevendo um fim de semana sem graça e com absolutamente nada para fazer. Então, para que me entediasse um pouco menos, resolvi me render aos planos de minha mãe: visitar os parentes, fazer compras e descansar, basicamente.

Entrei no ônibus vazio de quinta-feira santa para visitar minha tia, me sentindo uma abóbora recheada de gorda e ainda inchada pela viagem, ao lado de minha prima que fala bem pouco, olhando as ruas da cidade, etc. um cenário nada convidativo para flertar com quem quer que seja. Mas foi o que aconteceu.

Daí que o rapaz entra no ônibus com uma certa cara de marrento. Vestia uma blusa branca de manga curta simples e uma calça jeans. Tinha uma tatuagem no braço (Deus, como eu amo caras com tatuagem no braço), barba por fazer e cabelo curto, a fórmula perfeita para ser um lindo em três passos básicos.

Inicialmente ficou em pé de costas para o local onde eu estava sentada, o que me deu uma visão perfeita de sua bundinha – do jeito certo que deve ser a bunda de um homem: nem grande, nem pequena, firme, bem sustentada pela calça (o que significa que ela não deixa de fora aquela parte incômoda da cueca) e proporcional a um quadril masculino NHAMMMM! Não fazia o estilo bombadão e nem magricela, era um “magro definido” com uma certa elegância, ereto. Colocou uma mão no apoio de cima do ônibus e a outra dentro do bolso e ficou tão sexy que me deu vontade de ir lá pedir que ele nunca mais se movesse.

Mas se moveu quando mais pessoas entraram e ficou de frente pra mim. Quando meu olhar sobre ele pesou (o que prova que não consigo ser discreta), ele olhou de volta e sustentou por um tempo. Por um triz desviei o meu, mas consegui manter a tempo de vê-lo dar um sorriso torto, de canto de boca – PUTA GOLPE BAIXO! Todo mundo sabe que amo isso, que venham a mim todos os homens de sorrisinho de lado porque deles é o reino do céu.

Então pensei – nem sou daqui mesmo e como olhar não é pecado e eu não tenho culpa de ele ser lindo, vou me esbaldar – e o fiz. E para o meu espanto, não é que o carinha flertou com a Gordinha de Notre-Dame aqui? Olhou e sorriu pra mim e depois desviou o olhar e depois olhou de novo e quando foi desviar novamente passou os olhos sorrateiramente pelo meu decote – ah, que linda a arte de tentar ser discreto enquanto se flerta!

Minha prima disse algo e quando fui responder, acho que meu sotaque cantado do norte de Minas atraiu a curiosidade dele (e de mais umas mil pessoas que estavam perto) e dessa vez ele ficou prestando atenção na minha conversa (ao menos alguém prestava, porque eu respondia minha prima olhando pra ele, né) e daí resolvi avançar um passo: sorri de canto também.

Ele retribuiu o sorriso, só que dessa vez largo e bonito. E daí cheguei ao meu destino e antes de descer olhei para trás só para notar que ele ainda olhava, ainda sorria, ainda bonito, ainda flertando. Sem bilhetes, troca de telefones nem pegação, só uma paquera livre e saudável.


Foi uma experiência interessante e pensei que não fazia isso há tanto tempo que achei que já nem fosse capaz. Às vezes nos revestimos de preocupações tão intensas a respeito de nós mesmos que perdemos esses momentos rasteiros que nos fazem sentir um pouco melhor.

E então o Quasímodo dentro de mim pulou em cima do sino carregando a cigana nos braços e gritou: SANTUÁRIO! SANTUÁRIO!
Blém, blém, blém.

Por Lety

5 comentários:

C.P. disse...

AMEEEEEI! *-*

Vi.

28/4/11
disse...

:~~

28/4/11
Naiara disse...

O grande problema é que quase todos temos um Quasimodo dentro de nós. Não é questão de físico, mas é algo que vem de dentro... Aqueles dias que estou bem me sinto belíssima! Saí pra lá Gisele Bundchen!!!
Mas há dias... nesses sim... me sinto um lixo!

Não dá para ser feliz somente nos dias que tô com a auto estima nas alturas... Beleza realmente vem de dentro, de se sentir, se achar... e muitas veze não se importar com aqueles filhas da puta dos defeitos que nos atormentam... hehehhe

Lindo texto amiga! Como sempre! Como todos!

29/4/11
Regianny disse...

Lindo...Momentos simples que fazem de um instante um intenso momento.

2/5/11
Kelly Duarte disse...

Que momento maravilhoso, q lindo Lety...

E pensar q nem sei sustentar um olhar... sou fiasco no modo flertar ¬¬

27/5/11