quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Porque ainda acreditamos em príncipes

Ou
Feminista às avessas
Ou
Porque eu acredito em romantismo
Ou ainda
Porque simplesmente ando na vibe de falar sério


Observação: O post a seguir não é recomendado para vagabundas ou mulheres “bem resolvidas” que acham que não precisam de homens.

O post ficou longo, peço desculpas. Mas não consegui tirar uma só frase para resumir. Espero que consigam chegar até o fim.


Das muitas frases, e-mails, brincadeiras, twittadas, etc. que presencio, a grande maioria destinada ao público feminino é simplesmente arrogante ou possui uma tentativa meio inútil de ensiná-las como se comportar ou não se comportar em um relacionamento. Com alguns pontos eu concordo, de outros simplesmente rio. Uma grande amiga me disse uma vez que não lia um determinado blog destinado às mulheres. Sua justificativa: “É muita realidade para os meus sonhos”. E, ultimamente, tenho concordado com ela.

Tenho sentido que o que tem acontecido é muito culpa desses novos tempos. Mais ou menos assim: As mulheres conseguiram sua independência (com a qual eu concordo plenamente), mostraram-se capazes de fazer muitas coisas que os homens fazem (exceto xixi de pé ou... deixa pra lá) e asseguraram um local de destaque no mundo que antes não tinham. Deixaram de serem as simples mães de família, cozinheiras, lavadeiras, mulherzinhas e passaram a ser donas dos próprios narizes. Isso é muito lindo, de verdade.

Mas houve uma falha no processo: em algum momento, o poderio de conseguir se equivaler ao homem fez algumas mulheres pensarem que não precisam deles. Amor deixou de ser requisito válido. Os homens passaram a ser todo um bando de palhaços sem a menor graça, que você usa, usa, usa e depois chuta com o salto fino.

E eles, claro, não aceitaram isso de bom grado. Começaram a tentar responder à altura, tentando colocar as mulheres em seu “devido lugar”, fazendo piadinhas, ofensas e outras cositas mais para novamente tomarem seu lugar de macho alfa e mostrarem a essas doninhas quem é que manda na parada, morou? E assim, as trocas de ofensas mútuas instalaram-se e entramos todos em uma grande batalha dos sexos.

Eu sinceramente não sei o que estava fazendo no momento em que passou a ser divertido dizer que “melhor que uma mulher, só uma mulher muda”. Fico meio zonza de ouvir alguém dizer que deseja um homem apenas musculoso (cérebro pra quê, né?), uma mulher apenas gostosona. Se alguém diz que precisa de amor para fazer sexo vira alvo de piada. O mundo em que a minha mãe vivia e tentou me ensinar, aquele em que alguém um dia viria somar e completar, ó... Escafedeu-se.

E nessas e outras as mulheres bem resolvidas viraram apenas mal amadas solteironas. E os homens machões viraram pegadores de balada. Não sei vocês, mas eu não vejo muita graça nisso.

Certa vez escrevi que as pessoas levam as coisas a pontos tão extremos, que se esquecem da simplicidade dos seus atos, da paixão que deles nascem. Não existe um livro de regras – pelo menos que eu tenha lido – dizendo que uma mulher bem resolvida, com um bom emprego e um salário decente, não pode render-se aos encantos de um homem. E eu nem quero que um dia escrevam um livro dizendo que abrir as pernas para qualquer um, à La Sex and the City, é super bacana.

Pois bem, desculpem todos vocês que tentam me enfiar goela abaixo as novas formas de viver modernamente, mas eu vou bater o pé e insistir em algo diferente. Eu ainda quero romance, flores, músicas de Chico, poemas de Drummond, jantares, beijo romântico, telefonemas de saudade, lágrimas de fim. Esse mundo tosco em que nos metemos só me deixa ainda mais desejosa do diferente. Ter alguém com os mesmos preceitos de vida que eu, faria de mim uma sortuda, felizarda, amada. Com licença, mas eu quero isso.

Sei que príncipes encantados não existem... Até porque, eles seriam imensamente chatos. Mas não é por isso que vou contentar-me com um vagabundo qualquer e agir como tal para chamar sua atenção. Enquanto eu tiver amor próprio, criatividade, inteligência e uma paixão inexplicável, prefiro não fazer essa dança estranha do acasalamento.

Eu não quero ter que abrir mão de agradar quem eu amo, fazer algo gostoso para ele comer, fazer-lhe uma massagem para aliviar o cansaço. E também não quero que ele não note meu corte de cabelo, que deixe de se encantar porque os olhos de nossos filhos têm o mesmo tom dos dele, ou que se esqueça da data do nosso aniversário.

Meus pais têm 31 anos de casados. Até hoje, andam de mãos dadas. Sonham com seus netos. Minha mãe contava histórias para eu dormir. Eu recebia mensagens de meu pai dizendo que era linda – e podia ser mais. Esse é o meu exemplo.

Há algum tempo li uma história, resumidamente assim: Um homem, ao pedir a mulher de sua vida em casamento, tomou um punhado de amendoins nas mãos, entregou-lhe e disse: “Gostaria que fossem esmeraldas”. Já perto da morte, ele lhe entregou um punhado de esmeraldas e disse: “Gostaria que fossem amendoins”.

Exceção? Sim, eu aceito. Obrigada.
 
(Imagem do filme "O fabuloso destino de Amélie Poulain" - acredito que o rosto sonhador mais sincero que já vi. Recomendo infinitamente).
 
Por Lety

15 comentários:

Morena disse...

achei q eu fosse a única ''et'' desse mundo moderno...
concordo plenamente com vc

2/9/10
C.P. disse...

Assim eu vivo! Também tinha pensado nessas coisas, mas não tão claramente. E, realmente, apenas quando você encontra alguém que tem a mesma perspectiva que você, que é possível viver dessa forma: com uma vida profissional de sucesso sem esquecer das coisas simples e encantadoras do relacionamento. Boa sorte a todos nessa busca!

2/9/10
Yuu... disse...

cara, que coisa mais linda!

ver que existem pessoas assim da uma sacudida nos sentimentos e vemos q o mundo, mesmo caindo pro vazio, ainda possui conteudo!

adorei o texto

2/9/10
Naiara disse...

Acho que todas queremos viver nosso "Era uma vez" acompanhado do "e foram felizes para sempre!". De uma forma contemporaneamente romântica!
Será possível? (dúvidas)

2/9/10
Naiara e Letícia disse...

Tchu,
Essa é uma dúvida mto cruel mesmo. Mas viver essa dúvida, ao invés de procurar a resposta, é o que te deixa mais perto de conseguir.

Para Yuri,
Vc não faz ideia do quanto a sua aprovação sempre me faz feliz. ^^

2/9/10
Cecília disse...

Repito, mais uma vez, que acho seus textos fantásticos! Quanto ao assunto do post, sinceramente, acho que ninguém consegue ser tão vazio por muito tempo, é aquela tal história das fases, sabe? Como diria Tom Jobim, "fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho".

2/9/10
Anônimo disse...

Nossa Let!!lindo lindo e bem verdade,acho que essa historia de iguais esta tornado as mulheres roboticas e masculinas,voce esta bem certa,eu concordo com vc nunca tive um amor mas agora sei o que isso e garanto e melhor que ser sor um caso:)

5/9/10
Caroll Marinho disse...

feliz em saber que o mundo não está totalmente perdido..
as vezes acho que as pessoas se rendem às modinhas e passam realmente a ignorar alguns conceitos de vida... mas no fundo no fundo toda mulher quer se casar, ter filhos e um homem para chamar de seu.. rs

pelo menos eu quero.. rs

5/9/10
Naiara e Letícia disse...

Pode até ser q não queiram casar ou ter filhos, mas a grande maioria delas quer sim ter uma história feliz, duradoura... Plena.

5/9/10
Bruna disse...

Apoiadíssima, Lety!

7/9/10
Mi ;-) disse...

Acho ótimo alguém divulgar e propagar idéias assim. Em alguns momentos do seu texto li frases que juraria, teriam saído de minha cabeça. As coisas estão assim msm: mulher moderninha e homem pegador. No fundo, ninguém está satisfeito. Pessoas como nós (pq penso como vc) têm q valorizar princípios e convicções. Tive um relacionamento bacana... fui esse tipo de mulher que faz um agrado na cozinha e o bajulava com massagens ao final do dia, julgo-me inteligente,uma pessoa "promissora", mas... Infelizmente, alguns não sabem dar valor... e por isso, ficam aí "pegando" se fazendo de felizes!! Está na hora de mudar isso! E o q muda pessoas são idéias!!

7/9/10
gracantora disse...

Não acho que seja algo pra se generalizar. Acho que quem quer viver com seu principe tem todo direito de faze-lo . Mas existem pessoas que não querem e nem por isso tem suas vidas vazias. Eu acredito que o tipo de amor mais frágil e corrompivel que existe é o maor homem-mulher. Existem tantas outras formas de amor que são mais sólidas que engrandecem tanto quanto...não quero pra mim isso é fato. mas quero mesmo que vcs se apaixonem pq de quem eu vou rir ?

13/9/10
Naiara e Letícia disse...

Sei bem que existem mulheres que não querem príncipes. Acho isso perfeitamente normal. Mas não acho que isso seja uma desculpa para se tornar uma espécie de solteirona convicta mal amada, só isso que quis dizer com o post... Se vc está bem sozinha, pq quer mesmo está sozinha, ótimo. De verdade.
O único amor que nos pertence, de fato, é o nosso. Não podemos nunca ter certeza do amor de ninguém, por mais que nos digam, provem ou demonstrem - e isso seja mto bom - a única certeza que vc vai carregar para a vida é de quem vc ama e como ama, e isso independente do q o outro sente. Se vc escolheu não estar apaixonada, guardou seu amor para si ou para direcionar a outras pessoas... Mas é ruim condenar quem ainda quer um mundo à moda antiga.
Então fica assim, prima: eu me apaixono, fico feliz e vc ri de mim e será feliz. =P

13/9/10
MinxSerena disse...

Este texto relata claramente os sentimentos revirados das pessoas.
E às vezes me sinto perdida nesse mundo confuso e doente por falta do amor, e de todas as suas extensões.

17/9/10
My disse...

Belo post, parabéns mesmo. Hoje em dia existe uma guerra: solteiras x comprometidas. As solteiras insistem em dizer que estão bem assim e não precisam de homens, melhor só que mal acompanhadas. As comprometidas insistem em dizer que as solteiras são mal amadas e por aí vai... Acho que o importante é você estar bem com você mesma, independente de como você ESTEJA no momento. Não é porque eu vejo uma casada que sofre que eu vou esculachar e digo que "eu solteira, vivo melhor que todas as casadas", e vice-versa. Respeito é fundamental, né.
Parabéns novamente pelo post. ;) Beijão!!! My (agora fui eu, rs)

24/9/10